sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Princípio "PEPA": Primeiro as Pessoas, depois os papéis!

Enrique Sueiro, doutor em Comunicação Biomédica da Universidad de Navarra e consultor de Comunicación Interna. El País (23).

1. Cerca de 60% dos problemas empresariais são resultantes de uma comunicação ruim, segundo Peter Drucker. Se juntarmos a isso as “patologias nas organizações” descritas por Javier Fernández Aguado, é fácil concluir sobre a utilidade das terapias de comunicação para essas doenças. De certa forma, as empresas são como as pessoas: elas pensam, sentem, se iludem, crescem, ficam doentes e, se não são curadas, morrem. O mal não é ter problemas – quem não tem? - mas não solucioná-los.

2. Nossos gestores têm que melhorar a informação transmitida no seio de suas organizações. Um check-up tão sui generis nas empresas deve começar com a comunicação interna que, seguindo a analogia humana, é como a intimidade das instituições. Com a comunicação interna as organizações dinamizam ou infectam seu ambiente interno, sua alma corporativa. Negligenciar-se por dentro, não dar atenção a comunicação interna, pode provocar uma infecção que leve a novas doenças e agravem outras já em andamento.

3. Com a premissa de que a comunicação começa através da escuta e requer abertura de espírito, para o tratamento podem ser úteis algumas linhas de pensamento e ação que desenvolvi: o Princípio PePa (primeiro as pessoas, em seguida os papéis), de 80/20 de ouvir / falar com uma gestão eficaz das percepções; as 11 palavras-chave (dizer o que se faz e fazer o que se diz); a Fórmula 3C (comunicação + coerência= confiança) e a Oxigenante referência de corrigir (comete sempre novos erros).

4. O líder do passado sabia falar, o do futuro sustenta sua eloqüência na escuta empática, que exige altas doses de paixão por pessoas e compromisso com a realidade. Essa atitude provoca efeitos terapêuticos pelo próprio fato: para a equipe (motivação por saber-se e sentir-se ouvido e provavelmente compreendido), para a organização (detecção de problemas que, se ignorados, não poderiam ser resolvidos), e para o líder (crescente e contagioso prestígio interno). A melhor comunicação não conserta a pior realidade, mas pode mudar sua percepção. Esta opção de manipular, tão antiga quanto a humanidade, é uma possibilidade tentadora muito eficaz em ambientes medíocres, endogâmicos e autocomplacentes. Como salta aos olhos e aos ouvidos, quase ninguém reconhece estes tumores em suas organizações.

5. Na comunicação, tão importante como a bússola é o relógio. Além disso, a sensibilidade. O importante aqui não é chegar, mas fazê-lo a tempo. A gravidade deste atraso quase sempre deixa seqüelas e, às vezes, é progressiva ou fulminante. Trata-se de praticar o que podemos chamar de comunicação preventiva. Prever o previsível e contar o contável ajuda a caminhar na comunicação diretiva correta, ao mesmo tempo em que facilita a transição do KO ao OK em situações de crise. Enviar mensagens, editar boletins, permitir caixas de mensagens, agendar reuniões e participar de todas as redes sociais podem ter resultados estéreis como ferramentas se não servem para identificar o que as pessoas querem saber, necessitam saber e devem saber.

Vi no Ex-Blog do César Maia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails